Foram devorados
Pela realidade do dia.
Minha vontade
Foi detonada
Pela passividade.
Meu amor
Foi perdido
Em aventuras impensadas.
O desejo morreu
Em noites frias
De inverno congelante.
Meu tempo
É um outono eterno
De cores mornas.
Ando e não saio do lugar,
Tento esquecer
E a lembrança fica mais forte.
O universo conspira
Às vezes a favor,
Em outras contra,
Luto sem saber,
Continuo...
Mas não sei ao certo se irei conhecer vitórias.
Tudo a minha volta
É meio triste,
Lugar comum.
Meus dias
Começam e acabam
Acorrentados à monotonia.
O sol é amarelo,
A lua de sangue,
As estrelas megeras coadjuvantes
De minha tragédia sem causa.
Vou correr
Para escapar
Dos pesadelos diários.
Vou fugir,
Esconder minhas faltas
No lado escuro da consciência.
Vou contar as horas do relógio,
Os dias no calendário
E esperar que algo novo aconteça
E meus sonhos não sejam devorados.
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Dreams and Fear
My dreams
Were devoured
By the reality of the day.
My will Was detonated
By passivity.
My love
Was lost
In thoughtless adventures.
Desire died In cold nights
Of a freezing winter.
My time Is an eternal autumn
Of tepid colors.
I walk and go nowhere,
I try to forget
And the memory grows stronger.
The universe conspires
Sometimes in my favor,
At others against,
I fight without knowing why,
I carry on...
But I don't know for sure if I'll ever know victory.
Everything around me Is somewhat sad,
A common place.
My days Begin and end
Chained to monotony.
The sun is yellow,
The moon is blood,
The meagre stars are co-stars In my causeless tragedy.
I will run
To escape
The daily nightmares.
I will flee,
Hide my faults In the dark side of consciousness.
I will count the hours on the clock,
The days on the calendar
And wait for something new to happen
And my dreams won't be devoured.
